Eldenrock

Há muito tempo, antes de Caelum ser moldado pelas fronteiras e conflitos modernos, circulava entre os viajantes uma história antiga sobre uma raça de gigantes de pedra criados pelos Deuses Albaran e Miati. Chamavam-nos de Teragons, colossos nascidos do coração das montanhas menores, de espírito calmo e generoso, que caminhavam entre as florestas mais fechadas como guardiões silenciosos da vida selvagem.

Mesmo com sua estrutura monumental e aparência imponente, os Teragons eram criaturas profundamente ligadas à natureza. Diziam que a magia de Miati fluía diretamente por suas veias de pedra, tornando-os os primeiros protetores naturais do mundo. Eles cuidavam dos animais feridos, guiavam viajantes perdidos e ofereciam refúgio a qualquer ser vivo incapaz de se defender.

Foi assim que, em meio à profunda Floresta de Umbraluz, os Teragons conheceram um pequeno grupo de Eldarians que compartilhavam a mesma visão de harmonia e respeito pela terra. A convivência se transformou em amizade, e a amizade em propósito. Juntos, criaram uma comunidade pacífica que viria a ser conhecida como Eldenrock, uma vila simples, modesta, mas cheia de conhecimento e vida.

Eldenrock nunca teve muros, exércitos ou ambições territoriais, era apenas um vilarejo de fazendeiros, curandeiros e criadores de animais que viviam da terra com gratidão. Seus campos eram férteis, suas casas de madeira se misturavam às árvores e suas plantações eram cuidadas com a mesma delicadeza que dedicavam aos animais que criavam.

No centro dessa comunidade vivia Teria, a líder de Eldenrock, uma Eldarian de tons do outono, conhecida tanto pela beleza tranquila quanto pela bondade que parecia irradiar. Teria não governava, ela cuidava, caminhava entre o povo, ajudava nas colheitas, tratava dos doentes e aprendia tudo o que podia com os Teragons, tornando-se sua ligação mais forte com os Eldarians.

Com o tempo, os Teragons revelaram a ela uma profecia antiga, conhecida apenas por sua raça e sussurrada desde sua criação. A vida dos titãs de pedra não era eterna, quando seu ciclo se aproximava do fim, precisavam escolher um lugar sagrado para adormecer, retornando à forma de montanha. Mas havia uma forma de garantir que um dia pudessem despertar novamente, eles precisavam de uma vida tão pura e bondosa quanto a deles, alguém cujo coração refletisse o mesmo amor pela terra.

Aquela vida deveria unir-se aos titãs, tornando-se pedra junto a eles, para acordar quando o mundo mais precisasse do retorno dos Teragons.

E os gigantes encontraram essa vida em Teria.

Ela ouviu o pedido sem medo e aceitou-o com serenidade, acreditando que seu sacrifício seria apenas uma continuação natural do cuidado que dedicou à vila desde jovem.

Quando o dia marcado pela profecia chegou, Teria pediu uma última celebração. A vila inteira preparou um grande festival, com música, colheita, comida e danças. Uma despedida alegre, como ela desejava, para que todos lembrassem desse dia com orgulho e não com tristeza.

Na manhã seguinte, envolta pelo canto suave dos Teragons, Teria caminhou até o coração da floresta. Ali, os titãs retornaram à sua forma original, voltando a ser parte da montanha, e Teria, com a mesma tranquilidade com que sempre viveu, transformou-se em pedra ao lado deles, eternamente guardando Eldenrock.

Hoje, embora a vila continue pequena e humilde, os habitantes celebram aquele festival todos os anos, sabendo que um dia, os Teragons e sua guardiã despertarão novamente para caminhar pelo mundo.